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Cai movimento do Porto em julho

Fonte: A Tribuna Santos – veiculada em 26/08/2016

Após um primeiro semestre marcado pelo avanço expressivo na movimentação de cargas no Porto de Santos, em julho houve um recuo que preocupa. Entre janeiro e junho, o complexo santista registrou o maior crescimento operacional entre os principais portos brasileiros, com alta de 19% em relação ao mesmo período de 2015. Tal avanço esteve diretamente ligado à exportação de commodities agrícolas, cujo crescimento foi de 41%, representando 37% do total exportado pelo Brasil, maior do que era entre janeiro-julho de 2015 (31%). Em julho, porém, houve mudança no panorama. As operações caíram 11,2%, comparado com o mesmo mês do ano anterior, com destaque para o recuo ocorrido nas exportações do complexo soja (-35,2%) e de milho (-32,5%). Foram menores também os embarques de álcool (-30,4%), café em grãos (-25,4%), salvando-se as carnes, com crescimento de 26,1%, sucos cítricos (+20,6%) e açúcar (+20,1%), mas insuficiente para compensar as perdas com a menor exportação de importantes produtos, como soja e milho. Há problemas em relação à soja no Brasil. Nos primeiros quinze dias úteis de agosto continuou o recuo dos embarques, que atingiram 4 milhões de toneladas, volume bem inferior à média de 8,4 milhões dos quatro meses anteriores, com pico em abril de 10 milhões de toneladas. Vale notar que esse decréscimo vem acontecendo a partir de junho, aprofundado em julho, com retração de 29,3% em volume e 22,8% na receita, comparado com o mesmo mês de 2015. As cotações do produto caíram de R$ 90,00 para R$ 78,00 por saca de 60 kg, voltando aos patamares de maio, período de finalização da colheita. De um lado, o dólar não é tão atrativo para as vendas, e, de outro, há expectativas de maior oferta nos Estados Unidos e Argentina. Isso tem feito com que os produtores estejam retraídos em negociar o restante da safra 2015/2016 no curto prazo, estimando-se que haja um remanescente de 17% do total colhido. Além disso, os problemas climáticos nesta safra causaram prejuízo de R$ 8,6 bilhões, com um volume 8% menor do que o estimado pela Companhia Nacional de Abastecimento. O milho oferece melhores perspectivas após um período de dificuldades, mas não se espera o mesmo desempenho do segundo semestre do ano passado. O café tem suas exportações aquecidas, e é esperado um avanço neste mês do açúcar (de 1,8 milhões para 2,8 milhões de toneladas), o mesmo acontecendo com as carnes, que voltaram ater um bom ritmo. A forte dependência do Porto de Santos em relação a produtos agrícolas traz problemas, dada a instabilidade desses mercados, como se nota agora com a soja. A queda na operação de contêineres, que movimentam cargas de maior valor agregado, e que seria a natural opção às commodities (-13% em julho), indica, entretanto, que esse caminho ainda está distante.

Categoria(s): Ecoporto

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