Notícias

Fonte: A Tribuna/Santos veiculada em 02/10/2016

Em qualquer um dos cenários de restrição do alargamento do canal do Porto de Santos, o número de atracações no complexo cresceria consideravelmente, o que traz impactos às operações do cais. Se essas limitações ocorrerem, o tempo em que as embarcações permanecerão atracadas será reduzido, mas o período de espera para uma janela de atracação será ampliado. Esse reflexo acontecerá porque o Porto só poderia receber navios de menores dimensões e, portanto, de menor capacidade de carga. Com isso, apenas para manter a sua atual movimentação, já seria necessário um maior número de escalas, o que acabaria resultando em filas para atracação. “Isso (a restrição do alargamento) altera o custo do navio, o tempo de trânsito, o tempo de entrega da carga e até o esforços para a manutenção do canal, que podem ser menores que o atual por conta de um a provável redução do calado”, destacou o gerente de Planejamento e Desenvolvimento de Acessos da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Manoel Gatto dos Santos. As projeções apontam que, em 2020, o Porto de Santos deve movimentar 151,5 milhões de toneladas. Em 2025, o volume será de 179,3 milhões de toneladas e, em 2030, 205 milhões de toneladas. Mas, com a restrição do alargamento do canal, todas essas mercadorias precisarão ser transportadas por embarcações menores. É o que mostram as perspectivas dos pesquisadores. Hoje, 1% dos navios conteineiros que operam no cais santista tem capacidade para transportar mais de 12,5 mil TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Outros 20% das embarcações transportam 10 mil TEU, enquanto a maioria, 33% dos cargueiros, é capaz de operar até 7,5 mil TEU. Uma parcela de 31% dos navios de contêiner que passam pelo cais pode carregar até 5 mü TEU. Já outros 13,5% da frota levam menos de 2,5 mil TEU, de acordo com dados da Autoridade Portuária.

ATRACAÇÕES

Com navios menores e com capacidade de transporte reduzida, o número de atracações tende a crescer, caso o canal de navegação seja mantido com uma largura de 170 metros. Para ter uma ideia dessa discrepância, a USP analisou a previsão do fluxo de navios em direção ao Porto. De acordo com o estudo, 1.207 navios seriam substituídos por 2.272 embarcações de menor porte. Já em 2030, em vez de 2.106 atracações, seriam 4.939 entradas no complexo portuário. No segundo cenário, o impacto é ainda maior. Isso porque, em 2 03 0, as 1,6 8 6 atracações programadas com base nas características atuais do complexo seriam substituídas por outras 6.943.

NAVEGAÇÃO

Os pesquisadores da USP mostraram que, com as condições atuais do canal de navegação, é possível o tráfego de navios de até 366 metros de comprimento e 51 metros de boca. Os efeitos hidrodinâmicos do trânsito de embarcações desse porte também são avaliados pela instituição de ensino. O próximo passo da pesquisa é avaliar novas técnicas de amarração para evitar possíveis problemas causados pela passagem desses navios.

Categoria(s): Ecoporto

« Voltar para Notícias